quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O amante espanhol

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Ele era desses tipos que não se importam com o que rola nas paradas. Não se ligava na música do momento, na roupa do momento, muito menos na opinião de quem quer que fosse. Tinha personalidade, era isso.
E se interessou por mim num momento em que eu namorava um carinha lá que não tinha muito a ver comigo, mas me ajudava a manter o meu ex super complicado bem longe de mim. Claro, esse tal carinha era apaixonado por mim e me tratava super bem, mas não tinha definitivamente nada a ver comigo. Enfim, esse era o meu contexto de vida quando ele (o espanhol) apareceu.
E eu nem tinha reparado nele, antes de todo mundo da minha turma de amigos me dizer que ele só falava de mim, no quanto eu era linda, inteligente, etc. etc. etc. E depois que me disseram, eu mal conseguia olhar pra ele. Cumprimentava sem graça, geralmente com o meu namoradinho da época a tiracolo e sem olhar nos olhos dele.
A primeira vez que olhei nos olhos dele já sabendo que ele estava me querendo, senti aquele arrepio na espinha e um choque elétrico na boca do estômago. Algo que eu pensei que ia demorar a sentir (ou talvez nunca mais depois de um namoro trágico de quatro anos).
A paixão veio fulminante e o namorico de escudo pro ex complicado não durou nem cinco dias depois d0 surgimento do meu espanhol Eu o chamava assim por causa do nome dele que era hispânico do início ao fim. Rs.
Avassalador é o adjetivo adequado para o que sentia por ele. Eu era capaz de passar horas conversando com ele sem me cansar. O resto tudo era bom e exatamente do jeito que eu precisava depois de tudo. Aquele espanhol me deu em três meses de rolo, ficada ou namoro a dose certa de carinho, compreensão e pé no chão. Isso eu nunca tinha tido no decorrer da minha vida.
E pra mim foi muito bom ter com um cara bacana, inteligente, correto e, que tinha sido, até aquela época, o melhor sexo que eu já tinha experimentado. Infelizmente, não deu pra seguir com o relacionamento, por causa da distância, das neuras dele e das minhas também. Rs.
Mas foi bom viver aquilo tudo, com aquela intensidade e naquele momento. Quando acabou fiquei tristinha e tals, mas depois de um tempo aceitei que certas coisas só acontecem pra fazer bem. E quando fazem já é um sinal de que deram certo.
O meu amante espanhol foi o protagonista de uma fase muito boa da minha vida. E deu tão certo que nos encontramos quase dois anos depois para um "revival" que foi, no mínimo, perfeito. Sem cobrança, sem neura, sem preocupação. Só o alívio de uma saudade que eu penso que sempre vai existir, uma vez que a gente sempre sente saudade do que foi bom.
Saudade de ser feliz de verdade, mesmo que por algumas horas. Se isso não é modernidade, então eu conheço a definição correta da palavra.
Ser feliz é o que importa. Não importa o quanto dure, "toda e qualquer forma de amor já é um descanso da loucura" da solidão.


OBS: Afanei um pensamento de João Guimarães Rosa, inclusive trazido até mim pelo próprio espanhol que, num passado feliz, me trouxe de volta da solidão.



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